
O governo do Irã rejeitou, nesta quarta-feira (25), as acusações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país estaria tentando desenvolver arma nuclear e mísseis capazes de atingir território americano.
As declarações foram feitas por Trump durante o tradicional discurso do “Estado da União”, realizado na terça-feira (24) no Congresso dos EUA.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as falas como parte de uma “campanha sinistra de desinformação”.
Em publicação na rede social X, ele afirmou que as alegações sobre o programa nuclear e os mísseis balísticos iranianos seriam “grandes mentiras”, comparando a estratégia à propaganda atribuída ao nazista Joseph Goebbels.
Segundo Baghaei, o governo americano estaria repetindo acusações infundadas para pressionar o Irã no cenário internacional.
Durante o discurso no Capitólio, Trump afirmou que o Irã “voltou a perseguir suas ambições nucleares” mesmo após ataques realizados pelos EUA em junho de 2025.
“O Irã já desenvolveu mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalha para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, declarou.
Ele também afirmou que prefere resolver a questão por meio da diplomacia, mas ressaltou que “jamais permitirá que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”.
A troca de acusações ocorre às vésperas do terceiro encontro entre negociadores americanos e iranianos para discutir um novo acordo nuclear. A reunião está marcada para quinta-feira, em Genebra, na Suíça.
As negociações buscam limitar o programa nuclear iraniano e reduzir as tensões entre os dois países, que se intensificaram nos últimos meses.
Com cerca de 1 hora e 48 minutos, o discurso de Trump foi o mais longo já registrado na tradição do “Estado da União”. Além do tema nuclear iraniano, o presidente abordou imigração, economia e política comercial.
Ele criticou decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubaram tarifas impostas a outros países e anunciou nova taxa global de 15% sobre produtos importados.
Na economia, afirmou que a inflação está em queda e que a produção de energia bate recordes, além de defender um pacote aprovado em julho que reduziu impostos, mas elevou a dívida nacional.
Pesquisa da Associated Press aponta que 39% dos eleitores aprovam as políticas econômicas do presidente.
O cenário internacional segue marcado por tensão diplomática, enquanto Washington e Teerã tentam manter abertas as negociações sobre o programa nuclear iraniano.