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Nobel de Medicina deixa cargo na Columbia após ligação com Epstein

Richard Axel afirma que cometeu “grave erro de julgamento”; universidade diz não haver indícios de violação de regras

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
25/02/2026 às 16h44
Nobel de Medicina deixa cargo na Columbia após ligação com Epstein
Foto: Reprodução

O neurocientista Richard Axel, vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2004, anunciou nesta terça-feira (24) que deixará o cargo de codiretor do Instituto Zuckerman de Mente, Cérebro e Comportamento, da Universidade de Columbia, após a divulgação de documentos que detalham sua relação com Jeffrey Epstein.

Axel não é acusado de irregularidades. Em nota, classificou sua associação com Epstein como um “grave erro de julgamento” e pediu desculpas públicas.

“Minha associação passada com Jeffrey Epstein foi um grave erro de julgamento, do qual me arrependo profundamente”, afirmou. Ele disse ainda que os fatos revelados sobre a conduta de Epstein tornam a relação “dolorosa e injustificável”.

Saída da direção e do HHMI

Além de deixar a codireção do instituto, Axel informou que também renunciará ao posto de pesquisador do Howard Hughes Medical Institute (HHMI), uma das principais instituições privadas de fomento à pesquisa biomédica nos Estados Unidos.

A Columbia declarou que não há evidências de violação de políticas internas ou leis por parte do cientista. Ainda assim, considerou adequada sua saída da posição de liderança diante da repercussão dos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA no fim de janeiro.

Axel seguirá como professor e pesquisador da universidade.

Nobel por pesquisas sobre o olfato

Richard Axel recebeu o Nobel ao lado da bióloga Linda B. Buck por descobertas fundamentais sobre o funcionamento do olfato humano.

Os pesquisadores identificaram uma grande família de genes responsáveis pelos receptores olfativos e ajudaram a explicar como o cérebro interpreta milhares de odores diferentes. O trabalho abriu novas frentes na neurociência sensorial.

Carreira consolidada

Aos 79 anos, Axel leciona na Columbia há 53 anos e mantém um dos principais laboratórios de neurociência da instituição.

Na declaração, afirmou que continuará dedicado à pesquisa e à formação de novos cientistas. “A pesquisa e o privilégio de orientar gerações continuarão sendo compromissos significativos da minha vida”, disse.

O caso reacende o debate sobre vínculos acadêmicos com figuras envolvidas em escândalos e seus impactos na reputação institucional.

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