
A Rússia se prepara para redirecionar carregamentos de petróleo para a Índia após a escalada do conflito no Oriente Médio afetar rotas estratégicas de fornecimento de energia.
Segundo a agência Reuters, cerca de 9,5 milhões de barris de petróleo russo já estão em navios próximos às águas indianas e poderiam chegar ao destino em poucas semanas, oferecendo alívio imediato às refinarias do país.
A Índia é considerada vulnerável a choques de oferta. O país possui reservas suficientes para cerca de 25 dias de consumo, enquanto os estoques de diesel, gasolina e gás liquefeito também são limitados.

O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e atravessa águas territoriais do Irã e de Omã. A parte norte da passagem marítima é controlada pelo governo iraniano.
Segundo dados do governo dos Estados Unidos, cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumido no mundo passa por essa rota.
A crise se intensificou após ataques ligados à guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, que afetaram a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
Cerca de 40% das importações indianas de petróleo passam por essa rota, considerada um dos corredores mais importantes do comércio global de energia.
A Índia é hoje o terceiro maior consumidor de petróleo do mundo, com processamento de cerca de 5,6 milhões de barris por dia.
Segundo fontes do setor, Moscou estaria disposta a suprir até 40% da demanda indiana por petróleo bruto, ampliando significativamente sua participação no mercado.
O aumento das compras de petróleo russo pela Índia ocorre em meio a negociações comerciais com os Estados Unidos.
No mês passado, o presidente Donald Trump afirmou que poderia retirar tarifas aplicadas a produtos indianos caso o país reduzisse as compras de petróleo russo.
O governo indiano, porém, nega ter assumido esse compromisso e afirma que sua estratégia é diversificar fornecedores conforme as condições do mercado internacional.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o petróleo russo vinha sendo vendido com descontos para atrair compradores.
Agora, com a instabilidade no Oriente Médio, analistas avaliam que o cenário favorece os vendedores, o que pode reduzir essa diferença de preço.
Além do petróleo, Moscou também sinalizou que poderia fornecer gás natural liquefeito (GNL) à Índia, especialmente após a suspensão de parte da produção no Catar, em meio à escalada do conflito regional.