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Lula diz que Brasil não vai mudar o PIX após críticas em relatório dos EUA

Documento da gestão Trump afirma que sistema brasileiro de pagamentos prejudica empresas americanas de cartão de crédito

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
02/04/2026 às 15h35
Lula diz que Brasil não vai mudar o PIX após críticas em relatório dos EUA
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo brasileiro não pretende alterar o sistema de pagamentos instantâneos PIX, após críticas feitas pelo governo dos Estados Unidos em um relatório comercial divulgado nesta semana.

A declaração foi dada durante visita às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, na Bahia.

Segundo Lula, o sistema de transferências criado pelo Banco Central pertence ao Brasil e continuará sendo mantido pelo governo.

“O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, afirmou o presidente.

  • O comentário do presidente ocorreu após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, publicado na quarta-feira (1º), que aponta o PIX como um sistema que pode prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

De acordo com o documento, empresas do setor nos Estados Unidos temem que o Banco Central brasileiro dê tratamento preferencial ao PIX, o que poderia afetar companhias privadas como Visa e Mastercard.

“O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos”, afirma o relatório.

O documento também menciona que o uso do sistema é obrigatório para instituições financeiras com mais de 500 mil contas, o que ampliaria sua presença no mercado brasileiro.

Sistema criado pelo Banco Central

O PIX é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil que permite transferências e pagamentos em poucos segundos, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.

As transações podem ser feitas por meio de chaves cadastradas, como CPF, número de celular ou e-mail, ou por meio de QR codes, eliminando a necessidade de preencher todos os dados bancários.

A ferramenta se tornou uma alternativa mais rápida e gratuita aos sistemas tradicionais de transferência bancária, como DOC e TED.

Durante o discurso na Bahia, Lula também afirmou que o governo pode aprimorar o sistema, caso seja necessário.

“O que a gente pode fazer é aprimorar o PIX para que ele cada vez mais atenda às necessidades das mulheres e dos homens que utilizam esse sistema”, disse.

Declaração ocorreu após orientação de ministro

O comentário do presidente sobre o tema ocorreu pouco antes do encerramento do evento em Salvador.

Enquanto conversava com apoiadores, Lula foi alertado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que lembrou o presidente de comentar o assunto.

“Não esqueça de falar do PIX”, disse o ministro.

Após a fala, Lula comentou o relatório norte-americano e encerrou o evento.

  • Integrantes do governo avaliam que o embate entre Lula e o ex-presidente americano Donald Trump pode ter impacto no cenário político brasileiro.

Trump é apoiado por setores do bolsonarismo, que discutem lançar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República em 2026.

Uma pesquisa Quaest, realizada em setembro de 2025, indicou que 64% dos entrevistados consideram correto Lula defender a soberania brasileira diante dos Estados Unidos.

Além do PIX, o relatório comercial dos Estados Unidos também menciona outras questões envolvendo o Brasil, como:

  • mineração ilegal de ouro
  • extração ilegal de madeira
  • leis trabalhistas brasileiras
  • o projeto de lei dos mercados digitais
  • regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
  • taxa de uso de rede
  • satélites

O documento faz parte do Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, divulgado anualmente pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais de outros países.

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