
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo brasileiro não pretende alterar o sistema de pagamentos instantâneos PIX, após críticas feitas pelo governo dos Estados Unidos em um relatório comercial divulgado nesta semana.
A declaração foi dada durante visita às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, na Bahia.
Segundo Lula, o sistema de transferências criado pelo Banco Central pertence ao Brasil e continuará sendo mantido pelo governo.
“O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, afirmou o presidente.
De acordo com o documento, empresas do setor nos Estados Unidos temem que o Banco Central brasileiro dê tratamento preferencial ao PIX, o que poderia afetar companhias privadas como Visa e Mastercard.
“O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos”, afirma o relatório.
O documento também menciona que o uso do sistema é obrigatório para instituições financeiras com mais de 500 mil contas, o que ampliaria sua presença no mercado brasileiro.
O PIX é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil que permite transferências e pagamentos em poucos segundos, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.
As transações podem ser feitas por meio de chaves cadastradas, como CPF, número de celular ou e-mail, ou por meio de QR codes, eliminando a necessidade de preencher todos os dados bancários.
A ferramenta se tornou uma alternativa mais rápida e gratuita aos sistemas tradicionais de transferência bancária, como DOC e TED.
Durante o discurso na Bahia, Lula também afirmou que o governo pode aprimorar o sistema, caso seja necessário.
“O que a gente pode fazer é aprimorar o PIX para que ele cada vez mais atenda às necessidades das mulheres e dos homens que utilizam esse sistema”, disse.
O comentário do presidente sobre o tema ocorreu pouco antes do encerramento do evento em Salvador.
Enquanto conversava com apoiadores, Lula foi alertado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que lembrou o presidente de comentar o assunto.
“Não esqueça de falar do PIX”, disse o ministro.
Após a fala, Lula comentou o relatório norte-americano e encerrou o evento.
Trump é apoiado por setores do bolsonarismo, que discutem lançar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República em 2026.
Uma pesquisa Quaest, realizada em setembro de 2025, indicou que 64% dos entrevistados consideram correto Lula defender a soberania brasileira diante dos Estados Unidos.
Além do PIX, o relatório comercial dos Estados Unidos também menciona outras questões envolvendo o Brasil, como:
O documento faz parte do Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, divulgado anualmente pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais de outros países.