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Lula quer aprovar Jorge Messias no STF até junho

Indicação ao Supremo já foi enviada ao Senado, mas enfrenta resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
02/04/2026 às 15h45
Lula quer aprovar Jorge Messias no STF até junho
Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste semestre. A meta do Palácio do Planalto é concluir o processo até o fim de junho, antes do início do período eleitoral.

A indicação foi oficialmente enviada ao Senado Federal na quarta-feira (1º) por meio de mensagem presidencial, etapa necessária para iniciar a tramitação da escolha. A informação é do analista de política da CNN Brasil, Matheus Teixeira.

Apesar da formalização, a indicação enfrenta resistência dentro do Senado, especialmente por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo a apuração, Alcolumbre defendia outro nome para ocupar a vaga no Supremo: o do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), atual parlamentar e pré-candidato ao governo de Minas Gerais.

A escolha de Lula por Jorge Messias, considerado um nome de confiança do presidente e integrante de seu círculo mais próximo, teria provocado desgaste na relação entre o Planalto e parte do Senado.

De acordo com Matheus Teixeira, a decisão gerou uma fissura política com uma ala da Casa ligada a Alcolumbre.

Histórico de tensões

A indicação de Messias já vinha gerando tensão política desde o ano passado.

No final de 2025, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), chegou a marcar uma data para a sabatina do indicado.

Naquele momento, porém, o governo avaliou que não havia maioria suficiente no Senado para aprovar o nome, o que poderia resultar em uma rejeição inédita de indicação ao STF.

Para evitar o risco, o Planalto decidiu adiar o envio da mensagem presidencial, etapa burocrática necessária para que o Senado pudesse iniciar o processo de análise.

A decisão irritou Alcolumbre, que chegou a divulgar uma nota oficial criticando integrantes do governo, acusados de sugerir nos bastidores que ele estaria negociando cargos em troca de apoio.

  • Quatro meses depois, o governo decidiu finalmente formalizar a indicação.

Segundo relatos de bastidores, Alcolumbre teria sido surpreendido com o envio da mensagem ao Senado, o que teria provocado nova irritação no comando da Casa.

Diante do cenário, o governo pretende intensificar a articulação política com os parlamentares.

A estratégia inclui reuniões diretas de Lula com senadores e uma mobilização da equipe política do Planalto para garantir os votos necessários.

O objetivo é evitar que o processo se estenda para o segundo semestre, quando o ambiente eleitoral tende a dificultar a aprovação.

Também há preocupação com o cenário político após as eleições.

Segundo avaliação citada por Matheus Teixeira, caso o resultado eleitoral não seja favorável ao atual governo, a aprovação de Messias poderia se tornar ainda mais difícil.

Próximos passos no Senado

Com a indicação formalizada, o processo passa agora a seguir os trâmites do Senado.

O primeiro passo é o despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhando a indicação para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O relator da indicação deve ser o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do governo. Ele já havia sido anunciado para a função no ano passado por Otto Alencar e foi mantido no posto.

Após a leitura do parecer do relator, Jorge Messias será submetido à sabatina na CCJ, seguida de votação na comissão.

Caso aprovado, o nome segue para votação no plenário do Senado, onde precisa do apoio de pelo menos 41 senadores, em votação secreta, para ser confirmado como ministro do STF.

Nos bastidores, Messias também tem intensificado conversas com parlamentares para consolidar apoio à sua indicação.

Nas últimas semanas, o advogado-geral da União participou de reuniões em gabinetes de senadores em busca de votos para a eventual sabatina — movimento conhecido no Congresso como “beija-mão” político.

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