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Amado Batista entra na ‘lista suja’ do trabalho escravo

Cantor goiano teve o nome incluído após duas autuações em Goianápolis; defesa nega resgate de trabalhadores e diz que irregularidades já foram corrigidas

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
07/04/2026 às 16h26
Amado Batista entra na ‘lista suja’ do trabalho escravo
Foto: Reprodução

O cantor goiano Amado Batista entrou na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro do governo federal que reúne empregadores responsabilizados administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (6).

O nome do artista aparece em duas autuações registradas em Goianápolis, ambas referentes a fiscalizações realizadas em 2024. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), uma das ocorrências envolve o Sítio Esperança, com 10 trabalhadores, e a outra o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores em condições consideradas análogas à escravidão.

Em nota, a assessoria do cantor afirma que a informação sobre o resgate de 14 trabalhadores é “completamente falsa e inverídica” e sustenta que todos os funcionários seguem trabalhando normalmente nas propriedades.

  • Amado Batista é um dos 10 novos nomes goianos incluídos na lista em 2026, composta por pessoas físicas e jurídicas relacionadas a casos fiscalizados nos últimos seis anos.

De acordo com o MTE, as propriedades vinculadas ao cantor foram fiscalizadas entre os dias 19 e 29 de novembro de 2024, após uma denúncia sobre possíveis irregularidades trabalhistas. A ação contou com participação da Polícia Civil de Goiás.

No Sítio Recanto da Mata, área arrendada para plantio de milho, o governo federal apontou que quatro trabalhadores foram encontrados em condições degradantes e submetidos a jornada exaustiva. Segundo o MTE, o artista havia contratado um prestador de serviço responsável por empregar quatro operadores de máquinas, que dormiam em um galpão.

Ainda conforme o órgão, quando a fiscalização chegou ao local, as atividades estavam paralisadas e dois trabalhadores recolhiam os pertences para deixar a fazenda após serem informados da inspeção. Os auditores relataram que o ambiente era precário, sem estrutura adequada de moradia, higiene ou alimentação.

Segundo o MTE, os trabalhadores dormiam em colchões no chão, sem camas, sem armários individuais, sem roupas de cama e sem local apropriado para refeições. Nas entrevistas, relataram que atuavam havia cerca de dois meses sem registro formal, não haviam recebido os salários do mês anterior e trabalhavam entre 12 e 16 horas por dia, todos os dias da semana.

Já no Sítio Esperança, usado para criação de bovinos e produção de leite, a fiscalização identificou 10 trabalhadores em situação de jornada exaustiva. Inicialmente, segundo o MTE, não foram encontrados indícios de trabalho forçado ou degradante na estrutura do local, mas a apuração posterior indicou jornadas que chegavam a 18 horas diárias.

Defesa nega resgate e diz que problemas foram corrigidos

Após a divulgação da inclusão do nome de Amado Batista no cadastro, a defesa do cantor contestou a versão apresentada pelo governo federal.

Segundo a assessoria, não houve resgate de trabalhadores nas propriedades e todos os funcionários continuam atuando normalmente. A equipe do artista sustenta que, no caso do Sítio Recanto da Mata, as irregularidades envolveram a contratação de quatro trabalhadores ligados a uma empresa terceirizada, responsável pela abertura da área de plantio.

Em relação ao Sítio Esperança, a defesa afirma que foram identificadas correções que precisavam ser feitas na moradia e em áreas de convivência, mas que as obras já teriam sido realizadas e concluídas.

A assessoria também informou que o cantor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, cumpriu as obrigações impostas, pagou os colaboradores e adotou providências administrativas para encerrar o procedimento de autuação.

Cadastro reúne empregadores após decisão definitiva

Ao todo, a nova atualização da “lista suja” incluiu 169 novos empregadores, o que representa aumento de 6,28% em relação à atualização anterior. Do total, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas.

Com isso, o cadastro passa a reunir cerca de 613 empregadores, e Goiás aparece como o sexto estado com mais inclusões.

Segundo o governo federal, os nomes só entram na lista após a conclusão do processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em regra, cada nome permanece no cadastro por dois anos.

A atualização mais recente reúne casos ocorridos entre 2020 e 2025, em 22 unidades da Federação, que resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração e trabalho análogo à escravidão. No mesmo período, 225 empregadores foram removidos da lista após cumprirem o prazo de permanência.

A “lista suja” foi criada em 2004 e segue sendo um dos principais instrumentos de transparência no combate ao trabalho escravo contemporâneo no país.

Nota da defesa de Amado Batista

Primeiramente, a informação veiculada que de houve o “resgate” de 14 trabalhadores na propriedade do Senhor Amado é COMPLETAMENTE FALSA E INVERÍDICA! Não HOUVE RESGATE de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente!

Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda “arrendada” pelo senhor amado para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de 4 colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio.

O Fato ocorreu em 2024, foi assinado um TAC com MPT, na qual todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas.

Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação”.

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