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Galípolo diz que não há culpa de Campos Neto no caso do Banco Master

Presidente do Banco Central afirmou em CPI que não existem investigações internas que responsabilizem o ex-chefe da instituição; escândalo envolve fraude bilionária e levou à liquidação do banco

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
08/04/2026 às 17h13
Galípolo diz que não há culpa de Campos Neto no caso do Banco Master
Foto: Reprodução

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que não existe auditoria ou sindicância interna que aponte responsabilidade de Roberto Campos Neto no tratamento do caso do Banco Master.

A declaração foi feita durante depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado, quando Galípolo foi questionado sobre a atuação do Banco Central durante a gestão anterior em relação ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

  • O tema ganhou repercussão após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atribuiu a origem do escândalo à gestão de Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Campos Neto ao comando do Banco Central.

Segundo Galípolo, a decisão de liquidar o Banco Master foi tomada apenas em novembro de 2025, após a própria instituição reconhecer dificuldades financeiras.

De acordo com o presidente do Banco Central, o passivo da instituição havia consumido grande parte do caixa disponível.

“No dia da liquidação, o banco tinha em caixa cerca de 10% do valor que precisava pagar naquele dia”, afirmou.

O chefe da autoridade monetária explicou que foi necessário seguir todos os procedimentos regulatórios antes da decisão de liquidação extrajudicial.

Ele também afirmou que sua própria decisão vem sendo questionada por órgãos de controle.

“Ainda hoje estou respondendo em órgãos de controle se a liquidação não foi feita de maneira precipitada”, declarou.

Servidores do Banco Central são investigados

O caso também envolve a investigação de dois servidores do Banco Central, suspeitos de favorecer o banco nas análises regulatórias.

Segundo as apurações, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana teriam:

  • orientado estrategicamente o banco em processos administrativos no BC;
  • revisado documentos enviados pela instituição ao órgão;
  • vazado informações internas para que Vorcaro se antecipasse a medidas regulatórias;
  • utilizado influência interna para favorecer o banco;
  • recebido vantagens indevidas por meio de terceiros e contratos simulados.

Os dois servidores foram afastados das funções e estão sob investigação.

Galípolo nega tratar do caso com Moraes

Durante a CPI, Galípolo também afirmou que nunca discutiu o caso Banco Master com o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Segundo ele, reuniões com ministros do Supremo em 2025 trataram apenas de questões relacionadas à aplicação da Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos que permite sanções contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.

Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, chegaram a ser incluídos na lista de sanções do governo de Donald Trump em julho de 2025, sob alegações de abusos em decisões judiciais. A medida foi revertida em dezembro do mesmo ano.

Galípolo afirmou que nunca tratou do caso Master com o ministro.

“Todos os temas com a Suprema Corte eram relacionados à questão da Magnitsky, envolvendo sigilo e privacidade financeira”, disse.

Escândalo é considerado a maior fraude bancária do país

O caso Banco Master foi classificado pelo Ministério da Fazenda como a maior fraude bancária da história do país.

Segundo as investigações, o banco teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB).

Diante das irregularidades detectadas, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025 e determinou o bloqueio de bens de administradores.

Durante a CPI, Galípolo também revelou que participou de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, o próprio Vorcaro, acionistas do banco e ministros do governo.

Segundo ele, Lula afirmou no encontro que o caso deveria ser tratado de forma técnica pelo Banco Central, e não diretamente pelo presidente da República.

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