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Eduardo Leite pede desculpas a Caiado por não parabenizá-lo após escolha do PSD

Governadores se encontraram pela primeira vez após o partido escolher o goiano como pré-candidato à Presidência; divergência sobre anistia aos presos do 8 de janeiro apareceu no diálogo

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
10/04/2026 às 17h46
Eduardo Leite pede desculpas a Caiado por não parabenizá-lo após escolha do PSD
Foto: Reprodução

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), pediu desculpas ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), por não tê-lo parabenizado quando o partido anunciou o nome do goiano como pré-candidato do PSD à Presidência da República.

O encontro ocorreu na tarde desta quinta-feira (9), em Porto Alegre, na sede da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), e marcou a primeira reunião entre os dois desde que a legenda confirmou a escolha de Caiado para a disputa ao Palácio do Planalto.

Nas redes sociais, Leite afirmou que aproveitou o encontro para reconhecer a falha.

“Estive hoje com o governador Caiado e aproveitei para, antes de mais nada, me desculpar pela indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato do PSD”, escreveu.

O governador gaúcho também entregou uma carta a Caiado, destacando que pretende concentrar o diálogo nas “tantas convergências” entre os dois.

Divergência sobre anistia do 8 de janeiro

Apesar do gesto de aproximação, Leite ressaltou que há diferenças entre os dois em temas sensíveis, especialmente sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos três Poderes foram invadidas em Brasília.

Na carta, Leite reconheceu que Caiado busca a pacificação nacional ao defender o tema, mas afirmou que a medida pode gerar novos conflitos políticos.

“Não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios”, afirmou.

Segundo ele, uma decisão desse tipo logo no início de um eventual governo poderia interromper o diálogo com uma parcela significativa da população.

Caiado defende anistia como caminho para pacificação

Já o governador de Goiás manteve a defesa da anistia. Em entrevista coletiva durante o Fórum da Liberdade, evento realizado em Porto Alegre, Caiado afirmou que o tema precisa ser superado para permitir que o país avance.

“Aquilo está criando um problema? Vamos amputar o problema”, declarou.

Segundo o pré-candidato do PSD, a divergência não deve provocar constrangimentos na relação política entre os dois.

“Não é um tema que possa ser motivo de nenhum constrangimento entre nós no processo de uma campanha eleitoral. O resto, 100% de convergência.”

Caiado também afirmou que espera contar com o apoio de Leite durante a campanha e disse que o gaúcho poderá integrar o projeto político do partido caso ele vença a eleição.

Disputa interna no PSD

O PSD chegou a discutir três nomes como possíveis candidatos à Presidência no início do ano. Além de Caiado e Leite, o governador do Paraná, Ratinho Junior, também era cotado.

A disputa interna foi reduzida quando Ratinho anunciou que permaneceria no governo estadual e não disputaria a Presidência nem o Senado.

Com isso, a escolha do partido, liderado por Gilberto Kassab, acabou recaindo sobre Caiado, deixando Leite de fora da corrida presidencial.

Após a decisão, o governador gaúcho publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que respeitava a trajetória de Caiado, mas lamentava a escolha e defendia que seu nome poderia representar uma alternativa de centro capaz de romper a polarização entre PT e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo fora da disputa presidencial, Leite afirmou que pretende colaborar para que o projeto do PSD represente uma alternativa política ao cenário atual.

“Estou pronto para ajudar no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização”, disse.

Segundo ele, a candidatura do partido precisa demonstrar abertura, moderação e capacidade de agregar, tanto na formação de equipes quanto no discurso político.

O encontro entre os dois governadores havia sido inicialmente marcado para ocorrer no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, mas precisou ser adiado após o cancelamento de um voo de Leite em Congonhas, em São Paulo.

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