
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida. A informação foi confirmada pela Polícia Federal (PF), que acompanha o caso em cooperação com autoridades norte-americanas.
Segundo as autoridades, Ramagem estava foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
De acordo com a Polícia Federal, Ramagem foi detido por questões migratórias e levado a um centro de detenção nos Estados Unidos. A prisão ocorreu após a inclusão do nome dele na lista da Interpol, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o que permitiu a captura fora do país.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a ação é resultado da cooperação internacional:
“A prisão é fruto da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é considerado foragido e estava em situação migratória irregular.”
O governo brasileiro aguarda agora informações sobre os trâmites para eventual extradição.
As investigações apontam que Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025, de forma clandestina, pela fronteira de Roraima com a Guiana.
Segundo a PF, ele seguiu de carro até Georgetown, capital guianense, e de lá embarcou para os Estados Unidos. A fuga teria contado com apoio logístico do empresário Celso Rodrigo de Mello, preso em Manaus por suspeita de financiar a operação.
A defesa do empresário nega envolvimento.
Ramagem foi condenado pelo STF pelos crimes de:
De acordo com a investigação, ele integrava um dos núcleos centrais da chamada trama golpista, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições.
A solicitação está em análise pelo Departamento de Estado norte-americano, e a prisão pode acelerar o processo de retorno do ex-parlamentar ao Brasil.
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018.
Posteriormente, foi nomeado diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde sua gestão passou a ser investigada no caso conhecido como “Abin Paralela”, que apura o uso ilegal da estrutura do órgão.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas teve o mandato cassado em dezembro de 2025, após a condenação criminal.
Até o momento, não há definição sobre quando ou como ocorrerá a extradição. Enquanto isso, Ramagem permanece sob custódia das autoridades norte-americanas.
A Polícia Federal informou que segue em contato com os Estados Unidos para acompanhar o caso e dar andamento aos procedimentos legais.