
O então presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, afirmou ter sido “surpreendido” com a decisão do governo federal de demiti-lo do cargo nesta segunda-feira (13). Segundo ele, a exoneração foi comunicada sem aviso prévio e sem explicações formais sobre os motivos.
De acordo com Waller, o contato ocorreu por volta das 10h30, por meio do secretário-executivo do Ministério da Previdência. Ele disse que não houve conversa direta com o ministro Wolney Queiroz e que sequer foi informado sobre quem tomou a decisão final.
Segundo ele, o gargalo não está na gestão do instituto, mas na própria estrutura da Previdência.
“O principal problema hoje é estrutural, não de gestão direta do INSS”, afirmou.
O ex-presidente havia assumido o cargo em abril do ano passado, em meio a um escândalo de fraudes na Previdência, com a missão de reorganizar o órgão e recuperar sua credibilidade.
Ao confirmar a troca, o ministro apresentou uma justificativa diferente da versão de Waller. Segundo ele, o governo entra agora em uma nova fase e precisa de outro perfil de liderança.
“O momento inicial de reorganização foi superado. Agora buscamos um perfil mais técnico para os próximos desafios”, afirmou.

Para o lugar de Waller, o governo nomeou Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira com mais de 20 anos de atuação no sistema previdenciário.
Formada em Direito, Ana Cristina iniciou sua trajetória no INSS em 2003 como analista do Seguro Social. Ela também presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) entre 2023 e fevereiro de 2026 e, até então, ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência.
Segundo o governo, a nova presidente tem “visão sistêmica” e conhecimento completo do fluxo previdenciário, desde o atendimento nas agências até a fase de recursos.
Em nota, o ministro Wolney Queiroz afirmou que a troca no comando do INSS faz parte de um esforço para enfrentar o principal desafio atual do órgão: a fila de espera por benefícios.
“Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás”, declarou.
O ministro também destacou que a nomeação amplia a presença feminina na alta cúpula do instituto, que passa a contar com quatro diretoras.