
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (14), um projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um.
A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece o modelo 5x2, com dois dias de descanso remunerado. O texto também determina que não poderá haver redução salarial com a mudança.
O projeto foi encaminhado com urgência constitucional e já aguarda despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta, para iniciar a tramitação.
Além da redução da jornada, o texto prevê:
O projeto também mantém regimes específicos, como a escala 12x36, desde que respeitada a média de 40 horas semanais.
De acordo com o Ministério do Trabalho, comandado por Luiz Marinho, a proposta busca modernizar a legislação e corrigir distorções históricas na organização da jornada.
O envio do projeto foi articulado após reunião entre o governo e lideranças da Câmara. Ficou definido que o texto do Executivo tramitará em paralelo a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que já trata do mesmo tema.
Essa PEC, defendida por parlamentares, propõe mudanças ainda mais amplas, incluindo a possibilidade de jornadas menores e mais dias de descanso.
O acordo político prevê que as duas propostas avancem simultaneamente até que o Congresso defina qual modelo tem maior viabilidade de aprovação.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara já iniciou o debate sobre o tema, mas a votação foi adiada após pedido de vista.
A proposta divide opiniões. O governo argumenta que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e gerar impactos positivos na economia, ao aumentar o bem-estar e a produtividade.
Por outro lado, representantes do setor produtivo avaliam que a medida pode elevar custos operacionais das empresas, afetando a competitividade e a geração de empregos.
Economistas apontam que o sucesso da mudança depende de avanços paralelos em produtividade, qualificação profissional e investimentos em tecnologia e infraestrutura.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 coloca em debate o equilíbrio entre produtividade econômica e qualidade de vida.
De um lado, a proposta busca alinhar o Brasil a modelos de jornada mais reduzida adotados em outros países. De outro, levanta questionamentos sobre os impactos práticos para empresas e para o mercado de trabalho.
Com tramitação em regime de urgência, o tema deve ganhar protagonismo nas próximas semanas no Congresso Nacional.