
Uma nova série de protestos tomou as ruas de Havana, capital de Cuba, nesta quarta-feira (13), em meio ao agravamento da crise energética que atinge o país. Moradores foram às ruas após sucessivos apagões provocados pela escassez de combustível, situação que o governo cubano atribui diretamente ao embargo imposto pelos Estados Unidos.
As manifestações aconteceram em diversos bairros periféricos da capital. Moradores bloquearam ruas com lixo em chamas, bateram panelas e gritaram frases como “Acendam as luzes!” e “O povo, unido, nunca será derrotado!”.
Segundo a agência Reuters, esta foi a maior noite de protestos em Havana desde o início da atual crise energética.
O ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou que o país enfrenta uma situação crítica e que praticamente não há mais reservas de combustível.
“Não temos absolutamente nenhum combustível e absolutamente nenhum diesel”, declarou à imprensa estatal.
De acordo com o governo cubano, bairros de Havana chegaram a ficar entre 20 e 22 horas seguidas sem energia elétrica nos últimos dias.
A crise também afeta serviços essenciais, hospitais, abastecimento de alimentos e conservação de medicamentos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a crise humanitária enfrentada pelo país é “friamente calculada e induzida” pelos Estados Unidos.
Segundo ele, o fim ou a flexibilização do embargo seria a forma “mais rápida e fácil” de aliviar a situação da população cubana.
O governo também afirmou que o aumento global no preço do petróleo e os impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã dificultaram ainda mais a importação de combustível.
Moradores relataram dificuldades para armazenar alimentos, dormir e manter a rotina básica.
“Moro em uma comunidade com muitos idosos acamados. Nossa comida está estragando”, disse Rodolfo Alonso, funcionário público que participou dos protestos no bairro Playa.
Outra moradora, Irailda Bravo, afirmou que passou dias dormindo do lado de fora de casa por causa do calor provocado pela falta de energia.
“Temos filhos pequenos. Precisamos trabalhar, descansar e viver minimamente”, declarou.
Em alguns bairros, a energia voltou logo após os protestos, levando moradores a comemorar e deixar rapidamente as ruas.
Apesar da forte presença policial, testemunhas relataram que as forças de segurança permaneceram observando os atos sem intervenções mais agressivas.
As manifestações acontecem em um momento delicado para o governo cubano, que já enfrenta escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis há meses.
Em meio ao agravamento da crise, o governo cubano confirmou que está disposto a analisar uma proposta de ajuda humanitária de US$ 100 milhões oferecida pelos Estados Unidos.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que Havana pretende conhecer os detalhes da oferta e as condições exigidas por Washington para a liberação dos recursos.
A proposta foi retomada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Até o momento, porém, não há definição sobre um eventual acordo entre os dois países.
Na semana passada, a Organização das Nações Unidas classificou o bloqueio norte-americano sobre combustíveis destinados a Cuba como ilegal.
Segundo a ONU, as sanções prejudicam diretamente direitos básicos da população cubana, incluindo acesso à alimentação, saúde, água, saneamento e energia.