
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares para projetos culturais ligados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão mira repasses destinados a entidades que teriam ligação com a produtora responsável pelo longa. Entre os nomes citados estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC), a Go Up Entertainment e a Conhecer Brasil Assessoria.
Segundo Dino, há suspeita de descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade definidas pelo STF para o uso de emendas parlamentares, além de possível desvio de finalidade na destinação dos recursos.
A nova apuração tramitará sob sigilo.

A investigação preliminar busca informações sobre emendas destinadas por cinco parlamentares: os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, além dos deputados federais Marcon Pollon, Bia Kicis e Mário Frias.
Mário Frias, que é produtor executivo de “Dark Horse”, já havia sido intimado por Dino a prestar esclarecimentos sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas ao grupo responsável pelo filme.
Segundo a decisão, oficiais de Justiça tentam há mais de um mês intimar o deputado para responder aos questionamentos.
A deputada Bia Kicis afirmou, em nota enviada à imprensa, que não destinou emendas para o filme sobre Bolsonaro. Segundo ela, os recursos foram direcionados para produções como “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador”.
As defesas de Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Mário Frias e Marcon Pollon foram procuradas pela imprensa, mas ainda não haviam se manifestado até a última atualização.
A decisão de Dino acontece em meio à repercussão de áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil, que mostram Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Segundo as informações divulgadas, o banqueiro teria prometido cerca de R$ 134 milhões para ajudar na produção do longa. Comprovantes já apontariam repasses de aproximadamente R$ 61 milhões.
Flávio Bolsonaro inicialmente negou ter pedido dinheiro a Vorcaro, mas depois confirmou que buscou patrocínio privado para a produção.
“Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou o senador.
Nesta sexta-feira, Flávio voltou a comentar o caso e afirmou que não tem “que justificar nada para ninguém”.
Segundo ele, Vorcaro era uma pessoa que circulava em diferentes ambientes políticos e empresariais quando foi procurado para investir no projeto.
“Ele topou fazer um investimento privado e não tem nada além disso”, disse o senador.
A produtora Go Up Entertainment negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob controle do banqueiro.
Mário Frias também afirmou que não há dinheiro público envolvido no filme e declarou que Flávio Bolsonaro não tem sociedade na produção.