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Índia pede home office e redução de consumo após disparada do petróleo

Governo de Narendra Modi orienta população a economizar combustível e evitar gastos em meio à crise energética global

Redação
Por: Redação
15/05/2026 às 15h42
Índia pede home office e redução de consumo após disparada do petróleo
Foto: Reprodução

O governo da Índia intensificou nesta sexta-feira (15) os apelos para que a população reduza o consumo de combustível, trabalhe de casa sempre que possível e evite gastos considerados não essenciais, como viagens internacionais e compra de ouro.

A orientação foi feita pelo primeiro-ministro Narendra Modi em meio à escalada dos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para transporte de petróleo.

A medida marca uma mudança de tom incomum no país, que tradicionalmente aposta em políticas voltadas ao crescimento econômico e ao aumento do consumo interno.

A Índia está entre os países mais dependentes da importação de energia no mundo. Atualmente, cerca de 90% do petróleo consumido no país vem do exterior. Parte significativa desse abastecimento passa justamente pelo Estreito de Ormuz, região afetada diretamente pelas tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel.

Com o aumento dos preços internacionais da energia, empresas estatais indianas anunciaram nesta sexta-feira reajustes no preço da gasolina e do diesel. O gás de cozinha, utilizado por milhões de famílias, também já havia sofrido aumentos recentes.

O avanço da inflação e a pressão sobre a moeda local aumentaram a preocupação do governo com as contas externas do país.

Além do combustível, o governo indiano também tenta reduzir a importação de ouro, produto altamente consumido pela população e responsável por uma forte saída de dólares da economia. Em 2025, a Índia gastou mais de US$ 72 bilhões na importação do metal.

Como resposta, o governo elevou a taxa de importação do ouro de 6% para 15%, buscando conter o consumo e preservar reservas internacionais.

Apesar dos apelos oficiais, parte da população reagiu com ceticismo às medidas. Moradores de cidades como Calcutá afirmam que já convivem com orçamento apertado e dizem não entender como poderiam reduzir ainda mais os gastos diários.

Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que o governo tenta agir preventivamente para evitar um impacto ainda maior caso a crise energética global se prolongue.

Paralelamente às medidas internas, Modi iniciou uma viagem diplomática aos Emirados Árabes Unidos e a países europeus para discutir segurança energética e possíveis acordos nas áreas de petróleo e gás.

O governo indiano também busca diversificar fornecedores de energia e reduzir a dependência de rotas consideradas vulneráveis.

O cenário preocupa economistas porque a Índia é uma das economias emergentes mais expostas às oscilações do mercado internacional de petróleo. A combinação de energia cara, pressão cambial e aumento da inflação pode afetar diretamente o ritmo de crescimento do país nos próximos meses.

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