
O senador Flávio Bolsonaro criticou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos após afirmar que não conseguiu autorização para realizar uma entrevista coletiva nas dependências da representação diplomática em Washington.
A declaração foi feita nesta terça-feira, após encontro do parlamentar com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca. Flávio classificou a embaixada brasileira como uma “extensão partidária do PT”.
“A embaixada brasileira representa o Estado brasileiro e não interesses partidários do PT ou do governo Lula”, afirmou o senador em nota divulgada após a reunião.
O encontro aconteceu no Salão Oval e contou também com a presença de Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo. Segundo Flávio, Trump teria perguntado sobre a situação política brasileira, além de temas ligados ao combate ao crime organizado e minerais estratégicos.
Apesar da repercussão da reunião, a Casa Branca não divulgou detalhes oficiais sobre a duração ou o conteúdo da conversa. O governo americano apenas confirmou que o encontro aconteceu.
A falta de informações oficiais gerou comparações com a visita recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos. No encontro entre Lula e Trump, realizado no início do mês, houve divulgação de fotos oficiais, declarações públicas e publicação do presidente americano nas redes sociais.
Já no caso de Flávio Bolsonaro, Trump não comentou publicamente a reunião até o momento. Segundo aliados do senador, o principal objetivo da viagem era demonstrar aproximação com o presidente americano e fortalecer sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
A visita ocorre em meio à repercussão do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Recentemente, vieram à tona áudios em que Flávio pede apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante entrevistas nos Estados Unidos, Flávio negou que a viagem tenha sido planejada para desviar o foco da crise política e afirmou que “não tem nada a esconder”.
Segundo relatos de participantes da reunião, Trump também mencionou o encontro anterior que teve com Lula e voltou a classificar o presidente brasileiro como um político “dinâmico”. Ainda de acordo com Paulo Figueiredo, o presidente americano demonstrou curiosidade sobre a repercussão da conversa no Brasil.
Nos bastidores, aliados do senador avaliam que a imagem ao lado de Trump já representa um ganho político para o bolsonarismo, embora ainda existam dúvidas sobre o nível real de aproximação entre Flávio e o governo americano.