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Gabinete de Mario Frias pagou R$ 154 mil a empresa citada em investigação sobre contrato de wi-fi em São Paulo

Empresa recebeu recursos da cota parlamentar do deputado e aparece em apuração que investiga supostas irregularidades em contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
02/06/2026 às 16h06
Gabinete de Mario Frias pagou R$ 154 mil a empresa citada em investigação sobre contrato de wi-fi em São Paulo
Foto: Reprodução

O gabinete do deputado federal Mario Frias destinou pelo menos R$ 154 mil da cota parlamentar à empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., companhia que aparece entre os alvos da investigação da Polícia Civil sobre supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).

O instituto é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, a Complexsys recebeu recursos do gabinete de Mario Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026 por serviços descritos como “CRM Político”, sistema utilizado para relacionamento com eleitores e organização de atividades parlamentares.

Antes da contratação da Complexsys, o mesmo serviço era prestado pela empresa GTrend, que recebeu R$ 115,6 mil entre abril de 2023 e agosto de 2024. A GTrend pertence a Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Ferreira da Gama.

Investigação apura contrato de R$ 108 milhões

A investigação da Polícia Civil foi aberta a pedido do Ministério Público de São Paulo e apura possíveis irregularidades na contratação do Instituto Conhecer Brasil para implantação e manutenção de pontos de wi-fi gratuito em comunidades da capital paulista.

Entre os principais pontos levantados pela investigação estão:

  • Participação exclusiva do instituto no chamamento público;
  • Falta de experiência da entidade na área de telecomunicações;
  • Valores considerados acima dos praticados no mercado;
  • Descumprimento de metas previstas no contrato;
  • Antecipação de pagamentos sem a correspondente entrega dos serviços.

De acordo com os investigadores, o cronograma previa a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet até junho de 2025. No entanto, apenas 3,2 mil teriam sido implantados.

A apuração também aponta que a Prefeitura de São Paulo antecipou cerca de R$ 26 milhões em pagamentos. Segundo a investigação, mais de R$ 11 milhões teriam sido repassados quando apenas seis pontos de internet estariam efetivamente funcionando.

Nota fiscal de R$ 2 milhões está entre os documentos analisados

Um dos focos da investigação envolve uma nota fiscal de aproximadamente R$ 2 milhões emitida pela Complexsys em novembro de 2025 por supostos serviços de manutenção e reparo técnico dos equipamentos utilizados no projeto.

Segundo informações obtidas pelos investigadores, a nota consta como cancelada nos registros oficiais da Prefeitura de São Paulo no mesmo dia em que foi emitida.

Apesar disso, o documento teria sido apresentado pelo Instituto Conhecer Brasil na prestação de contas encaminhada ao município em fevereiro deste ano.

A Polícia Civil investiga se houve utilização indevida desse documento para comprovação de despesas relacionadas ao contrato.

Suspeita de ligação com financiamento do filme Dark Horse

Outra linha de investigação busca identificar se recursos públicos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil foram utilizados de forma indireta para financiar a produção do filme "Dark Horse".

Os investigadores analisam movimentações financeiras, contratos de subcontratação e repasses realizados pelo instituto a empresas privadas, incluindo a Complexsys.

Segundo o Ministério Público, há indícios que justificam o aprofundamento das apurações para verificar eventual desvio de recursos públicos e possível financiamento cruzado entre atividades da organização social e a produção cinematográfica.

Empresas negam irregularidades

A Complexsys afirma que atua apenas como prestadora de serviços do Instituto Conhecer Brasil e que acompanha a investigação com tranquilidade.

Em nota, a empresa informou que os pagamentos recebidos do gabinete de Mario Frias referem-se a contrato regular de licenciamento de tecnologia para fornecimento de sistema de CRM político, com emissão de notas fiscais e relatórios de prestação de serviço.

Já a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e sustenta que o programa de wi-fi funciona regularmente. A administração municipal também afirma que não houve pagamento referente aos 5 mil pontos inicialmente previstos e que os recursos liberados dizem respeito aos 3,2 mil pontos efetivamente contratados.

A Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão durante a Operação Wi-Fi Livre, recolhendo computadores, celulares, contratos, documentos e registros financeiros ligados à ONG, empresas subcontratadas e órgãos municipais envolvidos na execução do programa.

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