
A Prefeitura de Goiânia apresentou nesta terça-feira (9) a versão final do Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU), estudo desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) que traça um diagnóstico detalhado dos problemas de drenagem da capital e estabelece estratégias para reduzir alagamentos, enxurradas, inundações e erosões até 2056.
O levantamento aponta as bacias dos córregos Botafogo, Cascavel, Taquaral, Macambira, Caveiras e Barreiro como as áreas prioritárias para intervenções estruturais e ações de gestão de risco. Considerado um dos estudos mais completos já realizados sobre o tema em Goiânia, o plano analisou fatores como crescimento urbano, impermeabilização do solo, ocupação de áreas vulneráveis e capacidade da infraestrutura de drenagem.
Durante audiência pública realizada na Câmara Municipal, o coordenador-geral do estudo, professor Klebber Formiga, destacou que o objetivo é transformar a drenagem urbana em uma política permanente de planejamento.
“O plano permite que a drenagem deixe de ser tratada apenas na emergência e passe a ser planejada. Primeiro precisamos evitar que a situação piore. Depois, avançar para melhorar os indicadores da cidade”, afirmou.
Segundo o estudo, a bacia do Córrego Botafogo continua sendo a região mais crítica da capital quando o assunto é alagamento. Na sequência aparecem as bacias dos córregos Cascavel, Taquaral e Caveiras.
“Do ponto de vista da criticidade dos alagamentos, a bacia mais crítica é o Botafogo. Depois aparecem Cascavel, Taquaral e Caveiras”, explicou Formiga.
Já a região do Córrego Anicuns concentra o maior número de residências localizadas em áreas sujeitas a inundações.
“Quando analisamos a quantidade de residências afetadas, o Anicuns concentra boa parte dos problemas da cidade. Boa parte das áreas de inundação de Goiânia estão naquela região”, destacou o pesquisador.
Apesar dos desafios, os especialistas avaliam que Goiânia ainda apresenta uma situação menos grave do que grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, principalmente devido às características geográficas da cidade e à preservação de parte das áreas naturais de inundação.
O estudo faz um alerta especial para os riscos das enxurradas, que podem representar ameaça direta à vida da população.
De acordo com os pesquisadores, muitas pessoas subestimam o perigo causado pelo fluxo rápido da água durante chuvas intensas.
“Uma enxurrada não precisa ser grande para provocar acidentes graves. Com uma lâmina de aproximadamente 15 centímetros e velocidades elevadas, uma pessoa pode ser arrastada. Esse é o maior perigo que nós temos em termos de drenagem urbana”, alertou Formiga.
Segundo ele, veículos também podem ser levados pela correnteza em situações aparentemente simples, com cerca de 30 centímetros de água em movimento.
Outro ponto de atenção identificado pelo plano é o avanço da impermeabilização do solo provocado pela expansão urbana e pela verticalização da cidade.
A projeção dos pesquisadores é de que a área urbanizada de Goiânia cresça cerca de 50% nas próximas décadas, aumentando o volume de água direcionado para galerias, córregos e fundos de vale.
“A perspectiva é que a área urbanizada de Goiânia aumente quase 50% nas próximas décadas. O crescimento vai acontecer. O desafio é fazer com que ele ocorra de forma mais sustentável, sem ampliar os problemas que já existem hoje”, afirmou Formiga.
O estudo também recomenda a atualização da legislação municipal para exigir mecanismos de retenção de águas pluviais em novos empreendimentos.
Além dos alagamentos, o plano identificou a erosão como uma das principais ameaças à infraestrutura urbana.
As bacias dos córregos Macambira, Barreiro, Taquaral e Caveiras apresentaram os maiores índices de criticidade erosiva. Nessas regiões, a combinação entre expansão urbana e falta de estruturas adequadas favorece o surgimento e o avanço de processos erosivos.
O Plano Diretor de Drenagem Urbana estabelece medidas de curto, médio e longo prazo, com metas para os próximos cinco, 15 e 30 anos.
Entre as ações previstas estão a ampliação da infraestrutura de drenagem, implantação de reservatórios para retenção de águas pluviais, modernização dos sistemas de monitoramento meteorológico, aprimoramento dos alertas à população e fortalecimento dos protocolos de resposta a eventos extremos.
O documento também prevê revisões periódicas a cada dez anos para atualizar metas e adequar as ações às mudanças urbanas e climáticas.
Para os responsáveis pelo estudo, o principal desafio agora será transformar o diagnóstico em políticas públicas permanentes.
“O risco nunca será eliminado completamente, mas pode ser reduzido significativamente. Quanto mais a população conhecer esses riscos e quanto mais planejamento houver, menores serão os impactos para a cidade”, concluiu Klebber Formiga.