
Os Estados Unidos e o Irã deram um importante passo para encerrar meses de conflito ao assinarem um acordo provisório de paz. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (15) pelo presidente norte-americano Donald Trump, que anunciou a conclusão de um memorando de entendimento entre os dois países.
Segundo autoridades americanas, o documento foi assinado por Trump e pelo vice-presidente JD Vance, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, assinou o texto em nome do governo iraniano.
Apesar da assinatura preliminar, uma cerimônia oficial está prevista para acontecer na próxima sexta-feira (19), quando os termos deverão ser formalizados publicamente.
O acordo representa o maior avanço diplomático desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que já deixou milhares de mortos e provocou impactos significativos nos mercados globais de energia.
Um dos principais pontos do entendimento envolve a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.
Segundo uma autoridade americana, o fluxo de embarcações já começou a ser retomado e deverá crescer gradualmente nos próximos dias.
“Vocês verão um aumento significativo no tráfego no Estreito de Ormuz, que já está começando. Não voltaremos à normalidade em duas semanas, mas veremos uma recuperação importante da navegação”, afirmou o representante do governo dos Estados Unidos.
Durante encontro com o presidente francês Emmanuel Macron, às margens da cúpula do G7, Trump afirmou que a passagem marítima deverá estar completamente liberada até sexta-feira.
“O Estreito já está parcialmente aberto. Estão removendo minas subaquáticas e os navios já começaram a voltar. Na sexta-feira estará completamente aberto”, declarou.
Apesar do entendimento entre os dois países, ainda existem divergências sobre a cobrança de taxas para embarcações que utilizarem a rota marítima.
Trump afirmou anteriormente que a navegação seria liberada sem qualquer cobrança por parte do Irã.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, apresentou uma versão diferente. Segundo ele, o país não pretende cobrar tarifas aduaneiras, mas deverá instituir taxas relacionadas a serviços de navegação, seguros e proteção ambiental.
“Não estamos buscando aplicar tarifas aduaneiras, mas serão cobradas taxas relacionadas aos serviços prestados na região”, afirmou o representante iraniano.
O anúncio do acordo trouxe alívio imediato aos mercados internacionais.
O preço do barril de petróleo Brent, referência global da commodity, registrou forte queda após a divulgação do entendimento entre Washington e Teerã.
A cotação recuou mais de 4% e atingiu US$ 83,82 por barril, refletindo a expectativa de retomada do fluxo normal de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam pela região.
A primeira fase prevê a assinatura do memorando de entendimento e a retomada gradual da navegação na região.
Na sequência, o acordo estabelece:
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, questões relacionadas ao programa nuclear iraniano ficarão para uma etapa posterior das negociações.
A expectativa é que a assinatura definitiva do acordo aconteça na próxima sexta-feira (19), durante uma cerimônia prevista para ocorrer na Suíça.
O entendimento foi inicialmente anunciado por Donald Trump e posteriormente confirmado por autoridades iranianas, que classificaram o acordo como resultado tanto da diplomacia quanto dos avanços militares obtidos durante o conflito.
Caso seja implementado integralmente, o pacto poderá representar o fim da maior crise militar envolvendo Estados Unidos e Irã nos últimos anos e marcar a retomada da estabilidade em uma das regiões mais estratégicas para a economia mundial.