
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou mudanças nas articulações para o comando da Câmara dos Deputados. O líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que não disputará a presidência da Câmara em 2027. A decisão foi comunicada na segunda-feira (26), um dia após a confirmação da reeleição de Lula.
Segundo Sóstenes, sua candidatura estava condicionada à vitória de Flávio Bolsonaro, cenário que permitiria ao partido ocupar posições estratégicas no Congresso Nacional e no governo federal.
“Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, afirmou o deputado à Folha de S.Paulo.
O parlamentar informou que pretende reunir a bancada do PL na próxima semana para definir o posicionamento da legenda na eleição interna da Câmara. As alternativas são apoiar a recondução do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), ou lançar outro candidato.
Apesar da derrota na eleição presidencial, o PL conseguiu eleger 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara para a próxima legislatura.
O tamanho do grupo dá ao partido peso nas negociações sobre a composição da Mesa Diretora e a distribuição de cargos estratégicos no Legislativo.
Antes do segundo turno, dirigentes do PL trabalhavam com a possibilidade de lançar um candidato próprio à presidência da Câmara, especialmente se Flávio Bolsonaro fosse eleito presidente da República.
Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Casa, era mencionado como possível candidato ao cargo.
Altineu também articulava a possibilidade de disputar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Até o momento, ele não anunciou publicamente uma decisão sobre seus próximos passos.
Com a desistência de Sóstenes, o partido precisará reorganizar sua estratégia para a disputa de fevereiro.
A decisão do líder do PL ocorre em um momento em que Hugo Motta reúne apoio de diferentes partidos para tentar permanecer na presidência da Câmara.
O atual presidente já conta com manifestações favoráveis de dez legendas, incluindo partidos do Centrão, como PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos e MDB, além de siglas de esquerda, como PDT, PSB e PV.
A articulação envolve parlamentares de diferentes orientações políticas e busca construir uma candidatura com apoio amplo dentro da Casa.
Apesar das divergências com integrantes do PL, Motta não descarta receber o apoio da legenda na eleição para a presidência.
O deputado tem defendido uma composição que reúna diferentes forças partidárias e pretende intensificar as conversas com os parlamentares eleitos para a próxima legislatura.
A estratégia inclui negociações com dirigentes partidários e a busca por votos individuais dos deputados.
As articulações do PL para o Congresso estavam relacionadas à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O senador havia terminado a primeira etapa da eleição à frente de Lula, mas perdeu a disputa final no domingo (25). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
Com a permanência de Lula no Palácio do Planalto, a legenda precisará definir se pretende disputar diretamente o comando da Câmara ou negociar espaço político em uma composição com outros partidos.
A presidência da Casa é considerada estratégica porque o ocupante do cargo conduz as sessões, influencia a organização das votações e tem papel importante na tramitação de projetos de lei e propostas de alteração constitucional.
O resultado da eleição interna também poderá influenciar a relação entre o Congresso e o governo federal durante o quarto mandato de Lula.
A escolha do próximo presidente da Câmara dos Deputados está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando terá início a nova legislatura.
Até lá, os partidos deverão negociar candidaturas, alianças e a distribuição dos cargos da Mesa Diretora.
No PL, a primeira definição será tomada após a reunião da bancada anunciada por Sóstenes Cavalcante para a próxima semana.
A desistência do deputado retira um possível adversário de Hugo Motta, mas não significa que o PL tenha decidido apoiar sua reeleição. O posicionamento oficial da maior bancada da Câmara ainda dependerá das negociações internas e dos acordos com as demais legendas.