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Aliados confirmam fuga de Flávio em voo para os EUA

Segundo a Folha de S.Paulo, senador teria embarcado em outro ponto da Argentina e usado avião em Puerto Iguazú como despiste; PF cancelou passaportes brasileiros e investiga possível fuga

Redação
Por: Redação
27/10/2026 às 14h27 Atualizada em 27/10/2026 às 15h22
Aliados confirmam fuga de Flávio em voo para os EUA
Foto: Reprodução

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam que o candidato derrotado à Presidência da República deixou o Brasil e está a caminho dos Estados Unidos, dois dias após perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (27), o parlamentar teria embarcado em um voo particular a partir da Argentina, mas não no aeroporto de Puerto Iguazú, como havia sido noticiado inicialmente. A Polícia Federal (PF) investiga a possível saída do país, que ainda não foi confirmada oficialmente.

Pessoas próximas ao senador relataram à Folha que a viagem teria sido organizada e viabilizada por um advogado ligado à família Bolsonaro. Os interlocutores, que afirmam ser contrários à decisão de deixar o Brasil, disseram que a aeronave deveria chegar aos Estados Unidos ainda nesta terça-feira, mas não souberam informar o destino exato.

A suspeita ganhou força depois que Flávio deixou de entregar seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante do descumprimento, a PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador e informou que comunicaria a situação ao ministro.

Até a tarde desta terça-feira, Flávio não havia se manifestado publicamente sobre seu paradeiro. A ausência de registros oficiais de saída do Brasil e de entrada na Argentina mantém as informações sobre a possível viagem sob investigação.

Avião na Argentina teria sido usado como despiste

Uma das principais novidades divulgadas pela Folha envolve a aeronave que inicialmente foi apontada como responsável por transportar Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

Na madrugada desta terça-feira, o portal argentino Infobae informou que o senador teria atravessado a fronteira com a Argentina para embarcar em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

O avião havia pousado no aeroporto de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, às 23h45 de segunda-feira (26), após partir de Buenos Aires. A decolagem para Fort Lauderdale, na Flórida, estava prevista para as 2h desta terça-feira.

Segundo o Infobae, a viagem teria quatro passageiros e três tripulantes, mas o voo foi suspenso porque um dos passageiros esperados não compareceu ao embarque.

A aeronave permaneceu no aeroporto argentino, sem registro da viagem prevista para os Estados Unidos.

A nova versão apresentada pelos aliados à Folha é de que a presença do nome de Flávio na lista de passageiros do jato teria sido uma estratégia para despistar as autoridades.

Segundo esses interlocutores, o senador teria embarcado em outro aeroporto argentino. Eles, porém, não informaram o local de partida nem apresentaram documentos que comprovassem o deslocamento.

A hipótese de um despiste permanece como relato de fontes próximas ao parlamentar, sem confirmação independente.

Governo argentino nega entrada de Flávio no país

A Polícia Federal brasileira acionou autoridades argentinas para verificar se Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira após receber a determinação judicial que o proibia de deixar o Brasil.

Até as últimas verificações divulgadas, os investigadores não haviam encontrado registros de saída do senador pelos postos oficiais de controle migratório brasileiro.

O governo de Javier Milei também negou que o parlamentar tivesse entrado regularmente na Argentina.

Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações afirmou que não havia registro de entrada de Flávio Bolsonaro no território argentino. As autoridades também informaram que realizaram verificações relacionadas ao avião estacionado em Puerto Iguazú e não identificaram plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.

A ausência de registros migratórios não comprova, por si só, que o senador esteja no Brasil. A Polícia Federal continua apurando se houve uma saída por rotas não registradas.

Flávio teria decidido sair após ordem de Moraes

Segundo os aliados ouvidos pela Folha, Flávio teria decidido deixar o Brasil na segunda-feira (26), depois de ser intimado a entregar seus documentos de viagem.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador apresentasse seus passaportes em até 24 horas e o proibiu de sair do território nacional.

O parlamentar também ficou impedido de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal investigado no mesmo procedimento.

Em vídeo publicado na segunda-feira, Flávio criticou a determinação e afirmou que não pretendia deixar o Brasil.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

A promessa de entrega dos documentos, entretanto, não foi cumprida dentro do prazo.

Senador também possui cidadania italiana

Outro ponto revelado pela Folha é que Flávio Bolsonaro possui cidadania italiana e um passaporte emitido pelo país europeu.

Segundo a reportagem, a determinação de Moraes também alcançava esse documento estrangeiro. Entretanto, enquanto a Polícia Federal brasileira realizou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil, o documento italiano continuava válido, conforme as informações divulgadas pelo jornal.

A existência de um passaporte estrangeiro válido, porém, não afasta a proibição judicial de deixar o território brasileiro.

A PF deverá comunicar ao Supremo o descumprimento da ordem de entrega dos documentos. O cancelamento dos passaportes brasileiros também não significa, automaticamente, que o senador esteja foragido, pois não há informação de mandado de prisão expedido contra ele.

Investigações envolvem Banco Master e INSS

As restrições determinadas pelo STF estão relacionadas a investigações que envolvem Flávio Bolsonaro.

Segundo a Folha, o senador é investigado em procedimentos que examinam suspeitas de lavagem de dinheiro e outras possíveis irregularidades relacionadas ao caso Banco Master e a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Uma das apurações envolve o advogado Willer Tomaz e movimentações financeiras associadas a empresas ligadas ao setor de apostas.

Flávio nega a prática de irregularidades. As investigações ainda não representam comprovação de participação do senador nos crimes apurados.

Outro fator mencionado pela Folha é que o parlamentar deverá perder o foro por prerrogativa de função associado ao mandato de senador a partir de fevereiro de 2027, quando se encerra sua passagem pelo Senado.

A eventual mudança de competência dos processos dependerá da natureza dos fatos investigados e das regras aplicáveis a cada procedimento.

Aliados se dividem sobre possível viagem

As informações sobre o paradeiro do senador provocaram manifestações contraditórias entre pessoas próximas à família Bolsonaro.

Nas primeiras horas desta terça-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tivesse deixado o país.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e residente nos Estados Unidos, também contestou a notícia e ironizou os relatos de uma possível fuga.

Por outro lado, aliados ouvidos pela Folha e pelo UOL afirmaram ter recebido informações sobre a partida do senador em direção aos Estados Unidos.

Uma fonte norte-americana próxima à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro disse ao UOL que tinha conhecimento da suposta viagem, mas não confirmou a chegada do parlamentar ao país.

A Folha também informou que pessoas próximas ao senador não conseguiam contato com ele nesta terça-feira.

Segundo os interlocutores do jornal, uma das possibilidades seria a reunião de Flávio com Eduardo Bolsonaro na Flórida. Não há, entretanto, confirmação sobre o destino final ou a chegada do senador aos Estados Unidos.

Flávio desistiu de pedir anulação da eleição

A possível viagem ocorre após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.

Após o resultado, Flávio afirmou que não reconhecia a derrota e anunciou que buscaria a anulação das eleições. O principal argumento apresentado foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar a votação até as 19h em locais onde as seções eleitorais permaneciam abertas.

Segundo a Folha, porém, o senador desistiu de formalizar o pedido de anulação.

Levantamentos feitos a partir dos registros das urnas mostraram que aproximadamente 35 mil votos foram computados após as 17h, número muito inferior à diferença entre os candidatos.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e afirmou ter segurança no processo eleitoral.

PF continua investigando paradeiro de Flávio

Com o cancelamento dos passaportes e os novos relatos sobre uma possível viagem internacional, a Polícia Federal segue verificando informações sobre o deslocamento do senador.

A apuração envolve registros migratórios, informações compartilhadas pelas autoridades argentinas e dados sobre voos particulares.

O que está confirmado até agora é que Flávio Bolsonaro não entregou seus passaportes no prazo determinado pelo STF e que os documentos brasileiros foram cancelados pela Polícia Federal.

Já a afirmação de que ele deixou o país e embarcou em um avião rumo aos Estados Unidos continua baseada em relatos de aliados e fontes ouvidas pela imprensa.

A nova hipótese apresentada pela Folha, de que o avião estacionado em Puerto Iguazú teria sido utilizado como despiste enquanto Flávio embarcava por outra rota, também depende de confirmação.

Até que as autoridades consigam localizar o senador ou identificar registros de sua viagem, o paradeiro de Flávio Bolsonaro permanece sem esclarecimento oficial.

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