
Nos bastidores, o clima é de decepção e ressentimento no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump, realizada no domingo (26), na Malásia. O encontro, que simbolizou uma reaproximação entre os dois países, foi interpretado por aliados de Bolsonaro como um revés político e simbólico, especialmente para o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vinha atuando pessoalmente para manter vínculos com o trumpismo.
Fontes próximas à família Bolsonaro, ouvidas sob reserva, afirmam que o resultado do encontro foi recebido com melancolia e desânimo. O sentimento seria de que a aproximação de Trump com Lula enfraquece a narrativa de alinhamento automático entre o ex-presidente americano e o bolsonarismo.
Um dos principais alvos de críticas entre os aliados é o advogado Martin de Luca, integrante da equipe jurídica de Trump. Apesar de já ter feito declarações duras contra o governo brasileiro, De Luca é apontado por bolsonaristas como um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump.
Em público, os filhos de Bolsonaro adotaram outro tom. Eduardo e Flávio Bolsonaro usaram as redes sociais para minimizar a importância da reunião, afirmando que o ex-presidente brasileiro continua sendo uma figura relevante no cenário internacional.
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio Bolsonaro disse que Lula teria mentido ao dizer que o ex-presidente é “página virada” e acusou o petista de “temer enfrentá-lo nas urnas em 2026”.
“Luiz mentiu. Bolsonaro foi assunto na reunião. E mais: se Bolsonaro fosse página virada, Luiz não teria tanto medo de disputar as eleições contra ele em 2026”, declarou o senador.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro enfrenta pressões e incertezas sobre o futuro político. Fontes próximas afirmam que ele não pretende retornar ao Brasil no curto prazo, devido às denúncias na Justiça que o envolvem em suposta tentativa de obstrução da investigação sobre os atos golpistas de 2023.
Mesmo assim, o deputado teria confidenciado a aliados a intenção de seguir no páreo para a disputa presidencial de 2026 — ou, em outro cenário, apoiar uma candidatura do irmão Flávio ao Planalto.
O movimento ocorre no momento em que Lula tenta reconstruir pontes diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos após as sanções impostas ao Brasil durante o governo Trump. O encontro entre os dois presidentes foi descrito por ambos como “positivo e pragmático”, abrindo caminho para negociações bilaterais nas próximas semanas.
Nos bastidores, a reunião foi lida como um gesto de isolamento político para o bolsonarismo, que até pouco tempo apostava na retórica de proximidade com o trumpismo como um ativo eleitoral.