
O prefeito Sandro Mabel divulgou um vídeo recolhendo lixo na Avenida Anhanguera, em Goiânia, e reacendeu o debate sobre a limpeza urbana na capital.
Com a repercussão, voltou também a discussão sobre a situação financeira da Comurg e a dependência da companhia em relação à Prefeitura.
Desde 2024, a Comurg é classificada pelo Tribunal de Contas dos Municípios como dependente do Executivo — principalmente porque presta serviços apenas para a própria prefeitura. Mabel tenta reverter essa classificação ainda em 2025, negociando um acordo com o TCM.
Ao jornal O Popular, o prefeito afirmou que essa condição de dependência pode pressionar o índice de pessoal, aumentar o endividamento do município e prejudicar a nota Capag, que hoje é C.
Enquanto negocia a reestruturação, Mabel diz que a Comurg voltou a ser autossuficiente desde outubro — embora ainda receba auxílio financeiro. O contrato da empresa, aditivado no mês passado, pode chegar a R$ 49 milhões e 600 mil por mês, somando operação e administração do aterro sanitário.
Neste ano, dos R$ 190 milhões previstos em subvenção, R$ 158 milhões já foram repassados. A companhia também renegocia dívidas, adapta sistemas exigidos pelo TCM e busca novos clientes fora da estrutura da prefeitura.
Paralelamente, o consórcio Limpa Gyn — responsável pela coleta orgânica, seletiva e pelo entulho — recebeu um novo aumento. O segundo aditivo elevou o contrato para R$ 509,9 milhões, com repasse mensal atualizado para R$ 21 milhões e 200 mil. É um acréscimo de R$ 8,9 milhões no período de dois anos. Mesmo assim, o serviço segue alvo de críticas de moradores, do Ministério Público e de cooperativas.
Somando Comurg e Limpa Gyn, Goiânia gasta hoje cerca de R$ 70,8 milhões por mês com limpeza urbana e aterro sanitário. No ano, esse custo ultrapassa R$ 850 milhões.
E é nesse cenário — com pressão orçamentária, contratos elevados e novas exigências do TCM — que Sandro Mabel tenta equilibrar as contas e reorganizar toda a estrutura da limpeza pública da capital.