
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou, nesta quinta-feira (20), o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha foi comunicada ao jurista durante reunião no Palácio da Alvorada.
Messias, 45 anos, construiu sua carreira no serviço público, com passagens pela Casa Civil, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Banco Central. Desde 2023, comanda a Advocacia-Geral da União e se tornou um dos auxiliares mais próximos de Lula, atuando tanto em disputas jurídicas quanto em articulações políticas.
Evangélico e diácono em Brasília, Messias também tem se destacado como ponte entre o governo e lideranças religiosas, um setor sensível para o Palácio do Planalto. Caso seu nome seja aprovado, será o terceiro ministro evangélico entre os 172 que já integraram o Supremo ao longo de 134 anos.
A indicação ocorre após Lula descartar o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em encontro no início da semana, o presidente afirmou ao senador que precisava dele no cenário mineiro para a disputa ao governo estadual em 2026. A sinalização encerrou especulações sobre a possível ida de Pacheco ao STF.
Apesar da proximidade com o presidente, Messias encontra resistência entre senadores que preferiam Pacheco para a vaga. Nos bastidores, Lula tem reiterado que a escolha é prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo e que não abriria mão dessa atribuição.
A atuação de Messias ganhou espaço especialmente após a ida de Flávio Dino ao Supremo. O advogado-geral passou a assumir embates jurídicos do governo com o Congresso, defender o STF em disputas sensíveis e aconselhar Lula em temas estratégicos. Ele também articulou a resposta brasileira às sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, inclusive orientando a contratação de escritório especializado no país.
A indicação segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, responsável pela sabatina. Se aprovado pelo colegiado e pelo plenário, Messias assumirá uma das cadeiras mais importantes do Judiciário no momento em que o STF está no centro de debates políticos, jurídicos e institucionais do país.