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Abin vê risco externo e do crime nas eleições de 2026

Relatório alerta para desinformação com IA, atuação de facções e possível influência internacional no pleito; governo demonstra preocupação com os EUA e com megaempresários.

Redação
Por: Redação
02/12/2025 às 14h30
Abin vê risco externo e do crime nas eleições de 2026
Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Abin. / Foto: Reprodução

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontou, em relatório divulgado no documento “Desafios da Inteligência — Edição 2026”, que o processo eleitoral do próximo ano pode ser impactado por interferência externa, atuação do crime organizado e uso avançado de inteligência artificial para desinformação. Segundo o órgão, esses fatores representam ameaças diretas à democracia e à estabilidade institucional do país.

A agência afirma que, desde 2018, o Brasil vive um ciclo de ataques à credibilidade do sistema eleitoral que culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes. A avaliação é de que o pleito de 2026 ocorrerá em um ambiente “marcado por múltiplos desafios”.

Entre eles está a possibilidade de interferência internacional, que pode ocorrer por meio de campanhas digitais sofisticadas, ataques cibernéticos contra a infraestrutura eleitoral ou financiamento oculto de grupos extremistas. O relatório não cita países, mas auxiliares do presidente Lula demonstram preocupação com os Estados Unidos, especialmente diante da postura do presidente Donald Trump, que já declarou apoio a diferentes candidatos na América Latina e tem usado pressão política sobre eleições estrangeiras.

Outro ponto crítico é a atuação do crime organizado, sobretudo em regiões periféricas onde milícias e facções mantêm domínio territorial. A Abin afirma que esses grupos podem influenciar diretamente no voto, financiar campanhas, coagir eleitores e até lançar candidatos próprios — o que representa risco de captura política.

O relatório também destaca o avanço da inteligência artificial generativa e de deepfakes, que facilita a produção de conteúdos audiovisuais falsos e hiper-realistas. Segundo a Abin, essa tecnologia pode simular discursos inexistentes, manipular falas de candidatos e amplificar a desinformação com baixo custo e grande alcance.

A radicalização religiosa também aparece como fator de risco, ampliada pelo ambiente de polarização que fragmenta o debate público e é explorado por grupos extremistas.

Além do cenário eleitoral, a Abin identifica outros desafios para 2026, como a necessidade de transição para criptografia pós-quântica, fundamental para proteger dados sensíveis do Estado, e o aumento dos ataques cibernéticos autônomos executados por agentes de IA, que representam um novo patamar de risco à segurança nacional.

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