
As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais desde a noite de segunda-feira (23) deixaram ao menos 25 mortos e 43 desaparecidos. As cidades mais afetadas são Juiz de Fora e Ubá, que decretaram estado de calamidade pública.
Em Juiz de Fora, 18 mortes foram confirmadas e 40 pessoas seguem desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros. A prefeita Margarida Salomão decretou calamidade ainda na madrugada desta terça-feira (24). O decreto foi reconhecido pelo governo federal.
Outras sete mortes ocorreram em Ubá, onde três pessoas estão desaparecidas. O município registrou cerca de 170 milímetros de chuva em apenas três horas e meia, volume considerado extremo. O prefeito José Damato Neto também decretou calamidade.
Em Juiz de Fora, pelo menos 20 imóveis foram soterrados. No bairro Parque Jardim Burnier, 12 casas foram atingidas por deslizamento de encosta. Durante a madrugada, 13 pessoas foram resgatadas com vida.
Mais de 440 moradores estão desabrigados e foram encaminhados para escolas municipais que funcionam como abrigos provisórios. O Corpo de Bombeiros atua com 141 militares, sendo 113 na cidade.
O município enfrenta o fevereiro mais chuvoso da história, com 589 milímetros acumulados até agora — o dobro da média esperada para o mês. O transbordamento do rio Paraibuna e a interdição de pontes e túneis agravaram a situação.
Em Ubá, o rio da cidade atingiu 7,82 metros, provocando alagamentos em áreas urbanas e danificando três pontes. Imóveis desabaram e prédios públicos foram afetados, incluindo unidades de saúde e serviços municipais.

Um vídeo mostrou idosos sendo retirados de um lar invadido pela água. Eles foram levados ao segundo piso do imóvel e passam bem.
A prefeitura iniciou campanha para arrecadação de alimentos, água, roupas e materiais de higiene para famílias que perderam bens.
O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias e afirmou que o estado atuará para reduzir os danos. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que equipes da Defesa Civil Nacional estão a caminho da região.
A Defesa Civil estadual alerta que uma nova frente fria pode provocar mais chuvas intensas nesta quarta-feira (25), mantendo o estado em alerta.
O decreto de calamidade, com validade de 180 dias, permite agilizar o repasse de recursos para reconstrução e assistência às vítimas. As buscas por desaparecidos continuam.