
O empresário Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que possui renda mensal de aproximadamente R$ 300 mil e que sua atuação se limita à comercialização de espaço publicitário nas redes sociais. Ele é um dos investigados na Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 1,6 bilhão.
Segundo o depoimento, Raphael declarou que trabalha há cerca de 12 anos no setor de publicidade e marketing digital e que os conteúdos publicados na página são feitos sob demanda de contratantes. Ele também negou que as publicações tenham sido utilizadas para “abafar crises” envolvendo clientes ou parceiros.
A investigação levou à prisão de outros nomes ligados ao caso, como os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, apontados pela PF como parte de uma estrutura criminosa voltada à lavagem de dinheiro oriundo de apostas e rifas ilegais.
À Polícia Federal, Raphael afirmou que conhece MC Ryan SP apenas profissionalmente, como cliente interessado na divulgação de conteúdos publicitários. Já sobre MC Poze do Rodo, disse ter apenas conhecimento superficial, limitado às redes sociais.
O empresário também declarou que não participou de grupos de mensagens relacionados a movimentações financeiras ilícitas e afirmou não ter conhecimento sobre práticas investigadas, como fracionamento de valores, uso de intermediários ou conversão de recursos em criptomoedas.

Durante o depoimento, no entanto, ele admitiu que houve omissão de alguns valores recebidos diretamente em conta pessoal na declaração do Imposto de Renda. Segundo Raphael, esses casos pontuais não refletiriam a totalidade de sua movimentação financeira, que, de acordo com ele, é regularmente acompanhada por um contador.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a organização investigada movimentou cerca de R$ 790 milhões provenientes de vítimas de rifas ilegais, além de repasses de facções criminosas e depósitos em dinheiro sem identificação.
Na apuração, Raphael é citado como possível operador de mídia, responsável por divulgar conteúdos favoráveis a integrantes do grupo e promover plataformas digitais suspeitas.
A defesa do empresário, representada pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, afirmou que os valores recebidos são lícitos e decorrentes de relações comerciais regulares. Segundo ele, não há evidências de que Raphael tenha participado de qualquer esquema criminoso ou tenha conhecimento da origem ilícita de recursos movimentados por terceiros.
A Choquei, página administrada por Raphael, reúne milhões de seguidores nas redes sociais e se apresenta como um canal de entretenimento voltado a notícias de celebridades e bastidores da mídia. O empresário afirmou à PF que permanece à disposição para colaborar com as investigações.