
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), lamentou, na quarta-feira (4), que políticos tenham conquistado mandatos nas eleições de outubro por meio de ataques, ofensas e ameaças contra adversários. Durante discurso no plenário, o senador também defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas e criticou integrantes da oposição que passaram a questionar o sistema eleitoral após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As declarações ocorreram depois de uma cobrança do líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), sobre a votação de uma proposta de redução da maioridade penal. Alcolumbre reagiu às críticas e afirmou que parlamentares utilizaram ataques pessoais e institucionais como estratégia para conquistar votos.
“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, declarou.
Durante o pronunciamento, o presidente do Senado afirmou que alguns candidatos concentraram suas campanhas em ataques ao Judiciário, ao Executivo e à própria Presidência do Senado, em vez de apresentar propostas para a população.
Segundo Alcolumbre, temas como educação, saúde, desenvolvimento econômico e defesa das instituições democráticas ficaram em segundo plano diante do radicalismo político.
Ele também citou críticas recebidas por não dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação do senador, determinados parlamentares utilizaram essa pauta para prejudicar sua imagem e conquistar apoio eleitoral.
Alcolumbre afirmou que as agressões se tornaram recorrentes no debate político e lamentou que essa estratégia tenha resultado na eleição de candidatos.
Outro ponto central do discurso foi a defesa do sistema eletrônico de votação brasileiro.
Alcolumbre apontou uma contradição no comportamento de aliados de Flávio Bolsonaro, que comemoraram os resultados do primeiro turno, quando o PL conquistou uma grande bancada no Congresso, mas passaram a questionar as urnas após a vitória de Lula no segundo turno.
O presidente do Senado lembrou que os equipamentos utilizados nas duas etapas da eleição eram os mesmos.
“E quando abriu no segundo turno, a urna não prestou mais? O resultado valeu para o primeiro turno?”, questionou.
Segundo Alcolumbre, o sistema eletrônico permitiu a eleição de aproximadamente 120 deputados federais do partido de Flávio Bolsonaro e de mais de 20 senadores ligados ao mesmo campo político.
Ele ressaltou que os resultados foram comemorados pela oposição no primeiro turno, sem questionamentos semelhantes aos apresentados depois da disputa presidencial.
“Eu queria encontrar um para dizer se só deu errado no segundo turno”, afirmou.
A fala foi uma referência às alegações levantadas por integrantes da oposição após a reeleição de Lula.
O pronunciamento ocorreu em meio a um desentendimento entre Alcolumbre e Carlos Portinho sobre a tramitação de uma proposta que pretende reduzir a maioridade penal.
O líder do PL cobrou o cumprimento de um compromisso de votação da matéria, enquanto o presidente do Senado contestou a pressão e as críticas direcionadas à condução dos trabalhos legislativos.
Durante a discussão, Alcolumbre afirmou que já havia enfrentado diversas situações de ataques pessoais no plenário e criticou a transformação de divergências parlamentares em confrontos políticos.
Apesar do tom do discurso, o senador defendeu que o Congresso mantenha espaço para opiniões diferentes, desde que o debate seja conduzido com respeito às instituições e aos adversários.
Ao encerrar sua manifestação, Alcolumbre pediu que os parlamentares priorizem propostas para o país e abandonem os ataques pessoais. O presidente do Senado também reforçou sua defesa das urnas eletrônicas, criticando a postura de políticos que aceitam o resultado quando vencem, mas questionam o sistema eleitoral após uma derrota.