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Suprema Corte limita poder tarifário de Trump

Corte decide que presidente extrapolou autoridade ao impor tarifas sem aval do Congresso

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
20/02/2026 às 14h45
Suprema Corte limita poder tarifário de Trump
Suprema Corte do EUA / Foto: Reprodução

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações com base na Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA).

Por 6 votos a 3, os ministros concluíram que a lei não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral. O relator, presidente da Corte, John Roberts, afirmou que é necessária uma “autorização clara do Congresso” para medidas desse alcance.

A decisão derruba as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50% e atingiam a maioria dos parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.

O que muda na prática

  • Caem as tarifas amplas aplicadas desde abril de 2025 com base na IEEPA;

  • Permanecem em vigor as tarifas sobre aço e alumínio, aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962 (segurança nacional);

  • O governo pode ter que devolver parte dos valores arrecadados — estimados em mais de US$ 175 bilhões, segundo o Penn-Wharton Budget Model — embora o reembolso dependa de ações individuais das empresas.

A decisão reafirma que, pela Constituição americana, apenas o Congresso pode criar impostos e tarifas. A Corte destacou que a IEEPA permite regular importações em emergências nacionais, mas não menciona explicitamente a criação de tarifas.

Trump ainda pode impor novas tarifas?

Sim. A decisão limita o uso da IEEPA, mas não impede totalmente novas taxas. O governo pode recorrer a outros instrumentos legais, como:

  • Seção 232 (1962) – Segurança nacional;

  • Seção 301 (1974) – Práticas comerciais desleais;

  • Seção 122 (1974) – Desequilíbrios externos;

  • Seção 338 (1930) – Discriminação comercial contra os EUA.

Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e afirmou já ter um “plano B”.

Impacto para o Brasil e os mercados

A derrubada das tarifas tende a:

  • Reduzir a incerteza jurídica global;

  • Diminuir pressões inflacionárias nos EUA;

  • Enfraquecer o dólar;

  • Favorecer mercados emergentes, como o Brasil;

  • Tornar exportações brasileiras mais previsíveis.

As tarifas específicas sobre aço e alumínio brasileiros, no entanto, seguem válidas por estarem baseadas em outra legislação.

A decisão representa um freio institucional relevante ao poder presidencial na política comercial americana, mas não encerra completamente o uso de tarifas como instrumento político.

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